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Novo Barca Velha 1999
Colocado por: jallen em Quinta, Março 30, 2006 - 02:46 PM GMT
Vinhos A vindima de 1999 reuniu as condições excepcionais que permitiram à Sogrape declarar uma nova colheita do mais emblemático vinho do Douro. BARCA VELHA 1999 está disponível no Clube 1500 e chegará ao mercado entre Maio e Junho.

Num contexto em que os vinhos jovens marcam a tendência à mesa, BARCA VELHA é excepção porque ousa desafiar o tempo e se atreve a esperar quase uma década para se fazer anunciar.
Passados sete anos da vindima, é com grande satisfação que a Sogrape apresenta BARCA VELHA 1999, uma colheita da mais apurada qualidade, que evoluiu da melhor forma na garrafa e permitiu a decisão enológica de a lançar no mercado sob a alçada do topo de gama da Casa Ferreirinha, a marca da Sogrape especialista do Douro. O resultado é um caso singular de elegância e complexidade.

A proposta de lançamento de um novo BARCA VELHA é sempre da exclusiva responsabilidade da equipa de enologia da Casa Ferreirinha, que desde finais da década de 80 é liderada pelo Eng. José Maria Soares Franco. E ele, tal como o criador de BARCA VELHA, Fernando Nicolau de Almeida, « leva tempo a ter certezas »!
Ou será que o próprio vinho leva tempo a ter certezas?! Os oito anos de trabalho conjunto aliados à excelência da matéria-prima e à enorme paixão pelo vinho deixam J.M. Soares Franco confiante na continuidade do sucesso de BARCA VELHA. Porque, segundo ele, combinando saberes antigos com tecnologias de hoje, é sempre possível fazer melhor e «o lançamento de um novo BARCA VELHA é sempre um momento de festa».

A produção total da colheita de 1999 não chegou às 30.000 garrafas, até porque a sua qualidade não é compatível com grandes volumes. Com este lançamento passam a existir apenas 15 colheitas de BARCA VELHA desde 1952, o que vem confirmar o seu estatuto de excelência, tradição, confiança e ousadia.
E é precisamente este legado que envolve o nome BARCA VELHA que cria nos seus produtores uma responsabilidade acrescida em oferecer sempre e apenas o melhor entre os melhores. Como a confirmação de uma colheita não tem data marcada, José Maria Soares Franco e Luís Sottomayor, seu adjunto desde há mais de uma década, aguardaram desde 1999 até hoje para poderem anunciar mais um marco na história da Casa Ferreirinha e da Sogrape Vinhos.

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Barca Velha: Uma História Misteriosa e Cheia de Emoções

Foi há mais de meio século que da paixão e sonho de um homem nasceu o mais emblemático vinho da Casa Ferreirinha. A primeira colheita baptizada de Barca Velha remonta a 1952, quando ainda ninguém pensava em fazer bons vinhos tintos no Alto Douro.

Mais de 50 anos e apenas 15 colheitas . No ano de estreia os números falam em quase um mês de vindima, 17 meias pipas, 225 litros em cada uma delas, e o prazer radiante da concretização de um sonho antigo. Já desde a década de 40 do século XX que Fernando Nicolau de Almeida idealizava um vinho tinto do Douro assente na mesma filosofia de qualidade e de guarda dos Portos Vintage, que produzia desde 1929, altura em que ingressou na Ferreira.
Falar de Barca Velha é falar de homens pacientes e expectantes, é falar de mistério e ousadia, de sofrimento, do calor e do pó, é falar da concentração e riqueza das uvas seleccionadas em quintas com diferentes exposições e altitudes, é falar das caves em Vila Nova de Gaia, da paz e sossego da sala de provas, mas acima de tudo, é falar do romance do Douro e da paixão pelo vinho!
Foi preciso ter conhecimento e saber esperar, cuidar, provar, afinar, para ter a confirmação de que em 1952 chegava, pelas mãos de Fernando Nicolau de Almeida, o primeiro vinho tinto de alta qualidade da Região Demarcada do Douro! Uma vontade pessoal que desde logo convenceu os mais exigentes e os conhecedores de bons vinhos.
E meio século depois, a tradição ainda é o que era!

«Barca Velha não é um vinho fácil. Precisa de ser estudado e preparado...»

É de castas como a Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinto Cão (castas recomendadas da Região Demarcada do Douro) que se faz o mais singular vinho do Douro. Contudo, não é só às uvas que se deve o fenómeno Barca Velha.
A sua produção é uma lição de enologia sobretudo pela inovação dos métodos utilizados à época. As grandes questões técnicas com que a equipa de Fernando Nicolau de Almeida se deparou diziam respeito ao equilíbrio de maturação/acidez natural nas uvas de Vinho do Porto e o controlo da fermentação, particularmente da temperatura, de forma a garantir a qualidade sonhada. Depois de inúmeros estudos e uma viagem a França, o director técnico, provador e sonhador oficial da Ferreira resolveu as duas questões.
A solução para o equilíbrio de maturação encontrou-a naturalmente, em lotes de uvas das mesmas castas produzidas no Douro Superior, oriundas à época da Quinta do Meão e de vinhas de outras altitudes, em percentagens adequadas à qualidade de cada colheita. Consoante as necessidades de cada ano, foram sendo acrescentados bagos de terras mais altas, oriundos de solo granítico e, consequentemente, mais ácidos e menos alcoólicos. Contudo, com o passar do tempo a matéria-prima de alta qualidade foi sendo cada vez mais escassa , pelo que em 1979 a A.A. Ferreira (ainda antes de integrar a Sogrape Vinhos) decidiu plantar de raíz a Quinta da Leda, em Almendra, que permitiu diferentes exposições e altitudes. Posto isto, desde meados da década de 80, e fruto dos excelentes resultados das novas plantações de castas essenciais a Barca Velha, bem como da utilização de clones, as uvas da Leda assumiram o papel predominante no aumento das colheitas disponibilizadas para o mercado.
Quanto à questão do controlo de fermentação que, à semelhança do que acontecia com os vinhos do Porto, tinha lugar na adega do Meão, essa foi resolvida com tecnologia importada de França, utilizando a remontagem por bomba em cubas, na altura de madeira. Já o domínio da temperatura foi conseguido pela utilização de gelo, que era transportado de Matosinhos para o Pocinho de forma a garantir a fermentação alcoólica entre os 28 e os 30 graus centígrados.

«Uma experiência única...»

A minuciosidade foi tanta que cada copo da Sala Provas representava uma amostra de uma meia pipa. Foram tempos heróicos para a época, de estudos e aventuras na procura insistente da qualidade e supremacia nos vinhos produzidos. Em 1940 era um sonho, passados doze anos tornou-se realidade e fez-se história. Em mais de meio século, Barca Velha conheceu somente duas equipas técnicas, o que lhe garante uma consistência e constância de estilo ímpares.
«Barca Velha começa a ser uma relíquia da vitivinicultura portuguesa porque, apesar de tudo, já passaram cinquenta anos por ele...». Não obstante, José Maria Soares Franco, actual director de enologia da Casa Ferreirinha, lembra carinhosamente que cada vez que o prova se recorda dos exactos momentos que estão associados àquela colheita: «Não dá para esquecer, é uma experiência única...»!
Em cada colheita existe o maior cuidado em seleccionar para Barca Velha apenas os lotes de grande qualidade, que atingem a excelência sonhada e que 50 anos de trabalho provaram ser possível obter na Região Demarcada do Douro. Barca Velha demora o seu tempo. O tempo é, aliás, a alma deste vinho, pelo que não interessa apressá-lo. Toda a equipa se limita a aguardar ansiosamente que ele atinja o seu auge. Portanto, se os níveis de primazia exigidos não se verificarem, a vindima daquele ano não dará Barca Velha. «A Casa Ferrerinha só dá nomes aos vinhos depois de ter certezas», explica J.M. Soares Franco. A ideia de lançar um novo ano de Barca Velha é um processo misterioso que se vai estruturando, revelando e tornando consistente ao longo do tempo. Tal como o próprio vinho... E é por isso mesmo que Barca Velha nos conta uma história, fala connosco e nos pede companhia uma noite inteira!

«As décadas e as mudanças passam por ele, cerimoniosamente, sem ousadia para abalar a sua essência, cujo princípio orientador se resume em duas palavras: qualidade e excelência»
(Ana Sofia Fonseca in Barca Velha, Histórias de um Vinho)

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Informação Técnica de Barca Velha 1999

Notas de Prova

Barca Velha 1999 tem uma cor vermelha viva, profunda e muito intensa.
A sua grande riqueza aromática advém-lhe das uvas muito maduras e por isso de grande concentração. Estão evidentes os aromas primários das castas utilizadas, os de envelhecimento em madeira nobre e os provenientes da maturação em garrafa, num conjunto que lhe confere grande complexidade. Predominam os aromas de fruta muito madura (amora, ameixa, cassis), de flores (violetas), de especiarias (baunilha, pimenta), balsâmicos (cedro) e outros constituintes complexados pela evolução em garrafa (aromas de farmácia, iodo, etc).
À boca, apresenta um excelente equilíbrio entre álcool e acidez, fruto da apurada selecção e lote das castas nativas, tendo um final muito persistente, fino, elegante e delicado. Uma das suas principais características é o seu corpo e a grande estrutura que apresenta, que lhe irá proporcionar uma notável longevidade.
Com grande potencial de guarda, Barca Velha 1999 ser consumido desde já ou guardado alguns anos.

Sugestões de Consumo

Vinho misterioso e cheio de emoções, Barca Velha convida à selecção de um ambiente discreto e requintado, assim como a escolha da companhia com quem será partilhado este ritual revelador.
Saborear um Barca Velha exige uma preparação cuidada de acordo com a exigência do momento.
Idealmente, a garrafa deverá ser colocada “ao alto” na véspera e aberta 2 a 3 horas antes de ser servido. Com tantos anos de garrafa, deverá ser decantado cuidadosamente para separar o seu sedimento natural. Depois de devidamente decantado, deve ser saboreado com calma, acompanhado por pratos mais cuidados de carne, caça e mesmo alguns queijos, com sabores requintados e bem integrados. Recomenda-se que seja servido à temperatura de 17º-18º.

Ano vitícola 1999

Globalmente, o Inverno e a Primavera na Região Demarcada do Douro foram muito secos e com temperaturas acima dos valores normais, sobretudo nos meses de Fevereiro e Março, o que provocou um abrolhamento precoce. O défice de precipitação originou situações de stress hídrico nas videiras desde esta altura, as quais se agravaram nos meses seguintes, com consequências negativas a nível da floração e do vingamento. Nos meses de Agosto e Setembro, registaram-se precipitações em valores superiores aos normais, o que levou a equilibrar um pouco a maturação, assegurando, sobretudo um bom desenvolvimento dos cachos. A vindima de 1999 iniciou-se em 10 de Setembro no Douro Superior e em 18 de Setembro no Cima Corgo.
A situação climática excepcional da Quinta da Leda, as suas exposições e diferentes altitudes, e os níveis de precipitação sistematicamente muito baixos evitaram situações adversas, tendo as uvas atingido maturações ideais e sendo vindimadas nas melhores condições.

Castas

Barca Velha é, desde a sua criação, elaborado com uvas seleccionadas no Douro Superior, a diferentes altitudes. As castas escolhidas são as Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinto Cão, provenientes da Quinta da Leda e de outras vinhas situadas a altitudes mais elevadas, obtendo assim o equilíbrio natural e mantendo o estilo e selecção de qualidade que há décadas criou este vinho único.

Vindima e Vinificação

Originalmente vinificado pela Casa Ferreirinha na adega do Meão no Douro Superior, Barca Velha é actualmente vinificado na adega da Quinta da Leda, equipada com os mais recentes sistemas de vinificação. As uvas seleccionadas são vinificadas por castas separadas ou em lotes, escolhidos à mão, na vinha e/ou à recepção na adega. As uvas totalmente desengaçadas e suavemente esmagadas são encaminhadas para cubas de inox e/ou lagares robóticos, para maceração e fermentação alcoólica, com remontagem intensa, sob temperatura controlada automaticamente. Uma longa maceração de cerca de 21 dias permite aos constituintes de qualidade da película da uva madura passar ao vinho.

Maturação e Estágio

Os vinhos que potencialmente criam um Barca Velha, são transportados para V.N.Gaia, imediatamente após a maceração, e iniciam a sua «elevage» ou maturação durante cerca de um ano a um ano e meio (dependendo do lote e da vasilha em causa) em barricas de madeira de carvalho Francês novo, com 225 litros de capacidade. O lote final de Barca Velha é elaborado com base na selecção continuada dos melhores vinhos, depois de inúmeras provas e análises efectuadas durante a maturação aos diferentes lotes e barricas existentes. Nesta selecção muito cuidada reside o verdadeiro segredo do Barca Velha.
Para preservar a sua mais alta qualidade, Barca Velha é engarrafado sem tratamento sendo natural a formação de depósitos. A garrafa deve ser mantida deitada.

Produção e Longevidade

A Casa Ferreirinha produziu cerca de 30,000 garrafas de Barca Velha 1999.
Apesar de pronto a consumir no momento da sua apresentação, Barca Velha 1999 tem um longo potencial de guarda e evolui positivamente em garrafa. O apogeu? Talvez 15-20 anos após colheita, prevendo-se contudo que se mantenha «vivo» por um período até hoje indeterminado.

Detalhes técnicos:

Álcool: 13,5º
Acidez Total: 5,30 (tart)
Açúcar : 2,5 gr / lt.
pH: 3,45

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